
Quando o assunto é tecnologia, saber exatamente “como está” é tão importante quanto saber “para onde ir”. A maturidade da TI é a régua que permite enxergar essa realidade: ela mostra o nível de preparo dos processos internos e como eles sustentam as entregas da área. No artigo Amadureça sua TI, vamos explorar como medir essa maturidade usando o framework COBIT, entender seus domínios, níveis e como transformar essa análise em ação estratégica.
Mas, além do artigo Amadureça sua TI, aqui no blog também temos diversos outros artigos sobre kubernetes, desenvolvimento, gestão, devops, etc. Veja alguns exemplos: Diferenças entre Paradigmas, Axiomas e Hipóteses, Desenvolver na empresa ou comprar pronto, Fuja da otimização prematura, entre outros.
Sumário
- Medindo a maturidade da TI
- Usando ferramentas de apoio
- Amadureça sua TI com Radar de Maturidade
- Conclusão de Amadureça sua TI
- 10 Tendências de TI para 2024
- Princípios e Acrônimos: SPOT, DRY, AHA, etc.
- Specification Pattern no Domain Driven Design
- Search Engine Optimization
- ChatGPT-7
- Conceito, Contexto e Partido na Computação
- A Engenharia de valor no software
- Notification Pattern no DDD
Medindo a maturidade da TI
Nem toda empresa precisa de uma TI super estruturada. Mas toda empresa precisa saber até onde pode contar com a sua TI, bem como os riscos que está disposta a correr. Então, é aí que entra o conceito de maturidade. Assim, a ideia é: avaliar o quão preparados estão os processos de tecnologia da sua organização para entregar o que o negócio precisa para agora e projeta para o futuro.
Maturidade e Governança
Um dos frameworks mais usados para isso é o COBIT (Control Objectives for Information and Related Technologies). Ele nasceu nos anos 90, evoluiu bastante desde então, e hoje está totalmente alinhado com outros modelos de controle como COSO, CMMI e ISO/IEC 27001. Assim, o COBIT é flexível, serve para grandes e pequenas empresas, e funciona especialmente bem em momentos críticos como fusões, aquisições ou mudanças estratégicas.
Mas o mais interessante é que ele parte do princípio de que maturidade é contexto. Uma empresa pequena pode assumir mais riscos. Uma grande pode decidir tolerar riscos em TI porque precisa focar esforços em outra frente. A maturidade ideal é aquela que combina com a estratégia da empresa.
Domínios do COBIT
O COBIT divide a TI em cinco grandes domínios que cobrem tudo o que acontece dentro da área, da governança à entrega de serviços.
EDM – Evaluate, Direct and Monitor (Governança)
Esse é o domínio do direcionamento estratégico da TI. Então, aqui se define para onde a TI deve ir, como ela será medida e quem é responsável pelos resultados. Assim, esses são processos que ligam a tecnologia diretamente à liderança da empresa, tratando de riscos, compliance e performance. Por fim, ela possui processos como: Garantir a entrega de valor, otimizar riscos, avaliar desempenho e garantir conformidade.
APO – Align, Plan and Organise (Planejamento Estratégico)
Planejamento, alinhamento e organização da TI. É nesse domínio que se pensa a arquitetura corporativa, se define o gerenciamento de portfólio, se estrutura a cultura da TI e se cuida de recursos como pessoal, orçamento e competências. Então, ela possui processos como: Gerenciar estratégia, portfólio, orçamento, recursos humanos, arquitetura, inovação e risco.
BAI – Build, Acquire and Implement (Construção e Aquisição)
Aqui estão os processos que transformam ideias em soluções reais. Desde a aquisição de um software até o desenvolvimento de um sistema próprio. Também inclui testes, mudanças e entregas. Desse modo, ela possui processos como: Gerenciar requisitos, desenvolvimento, mudanças organizacionais e aceitação de soluções.
DSS – Deliver, Service and Support (Entrega e Suporte)
Responsável por garantir que tudo o que foi construído ou adquirido esteja funcionando no dia a dia. É o domínio operacional da TI: suporte, disponibilidade, continuidade, segurança e atendimento ao usuário. Então, ela possui processos como: Gerenciar operações, incidentes, problemas, requisições, segurança e continuidade.
MEA – Monitor, Evaluate and Assess (Avaliação e Monitoramento)
Esse domínio é o que fecha o ciclo. Avalia a performance da TI, monitora controles internos e garante que a conformidade seja seguida. Ela possui processos como: Avaliar desempenho, conformidade e controles internos.
Como medir a maturidade
Agora que você sabe o que medir, a questão é como fazer isso. Deve-se olhar para cada processo e determinar seu nível de maturidade, um a um. A escala é bem conhecida e segue uma lógica crescente de estrutura e qualidade:
- Nível 0 – Incompleto: o processo não existe ou falha em seu propósito.
- Nível 1 – Executado: o processo acontece, mas de forma informal.
- Nível 2 – Gerenciado: já há algum controle, plano e responsáveis.
- Nível 3 – Estabelecido: é padronizado, documentado e seguido.
- Nível 4 – Previsível: é mensurado, controlado e confiável.
- Nível 5 – Otimizado: há melhoria contínua, automação e foco em excelência.
Não é necessário (nem desejável) que todos os processos estejam sempre no nível máximo. O ideal é cruzar a maturidade desejada com a realidade estratégica da empresa. Um time enxuto pode operar com processos em nível 2 ou 3 se isso estiver em linha com seus objetivos e apetite de risco.
Usando ferramentas de apoio
Uma boa prática é usar radares de maturidade, que ajudam a visualizar onde sua TI está e onde quer chegar. O radar mostra os domínios, os processos avaliados e os gaps de maturidade. Isso facilita muito o planejamento de ações e a priorização de investimentos.

Outra coisa importante é entender o salto de maturidade. Se você está no nível 2 e quer ir para o nível 3, esse salto exige processos mais maduros, cultura, treinamento, orçamento e mudança de mentalidade. Saltos maiores podem ser desejados, mas precisam de patrocínio e cuidado. E regredir de nível, embora possível, deve ser feito com bastante consciência e alinhamento estratégico.
Amadureça sua TI com Radar de Maturidade
Para ajudar nessa análise, criei uma planilha de radar de maturidade de TI baseada no COBIT. O uso é muito fácil e não exige conhecimento prévio em COBIT. Ela detalha cada um dos processos para você e traz explicações resumidas dos domínios. Mesmo que você nunca tenha estudado o framework, dá para preencher e gerar um relatório útil em menos de uma hora. Assim, basta avaliar os processos, preencher os níveis e o radar será construído automaticamente.
Conclusão de Amadureça sua TI
Avaliar a maturidade da TI é essencial para alinhar tecnologia e estratégia de forma consciente. Não se trata de buscar perfeição em todos os processos, mas de entender quais são críticos para o momento da empresa e onde vale a pena investir esforço. Assim, com frameworks como o COBIT e ferramentas práticas como o radar de maturidade, é possível tomar decisões mais bem fundamentadas, priorizar ações e fortalecer o papel da TI como parceira do negócio. Portanto, Amadureça sua TI!
Ele atua/atuou como Dev Full Stack C# .NET / Angular / Kubernetes e afins. Ele possui certificações Microsoft MCTS (6x), MCPD em Web, ITIL v3 e CKAD (Kubernetes) . Thiago é apaixonado por tecnologia, entusiasta de TI desde a infância bem como amante de aprendizado contínuo.
