Estratégia de TI

No fim das contas, estratégia de TI não é luxo, é sobrevivência. PETI e PDTI não são burocracia, são ferramentas para dar clareza, foco e coerência ao que se faz, principalmente quando o negócio ainda não sabe muito bem onde quer chegar. Ter uma visão, desdobrá-la em ações e acompanhá-la com métricas reais é o que separa a TI reativa da TI que lidera transformação. E, convenhamos: em tempos de orçamento apertado, a TI que sabe onde está colocando cada centavo tem muito mais voz (e poder) na mesa de decisões.

Estratégia de TI virou um daqueles assuntos que todo mundo fala, mas nem todos encaram com seriedade. Uns acham que basta um PPT bonito com missão, visão e valores reciclados do Google. Outros fingem que não precisam disso porque o importante é entregar. Só que sem direção clara, qualquer esforço pode virar desperdício: e é aí que mora o problema. O artigo Estratégia de TI é um convite para refletir sobre o papel real da estratégia na TI, sem glamour, sem enrolação, e com os dois pés na prática.

Mas, além do artigo Estratégia de TI, aqui no blog também temos diversos outros artigos sobre kubernetes, desenvolvimento, gestão, devops, etc. Veja alguns exemplos: Diferenças entre Paradigmas, Axiomas e HipótesesDesenvolver na empresa ou comprar prontoFuja da otimização prematura, entre outros.

Plano estratégico corporativo é bobagem?

A estratégia corporativa é um item glamourizado mas que nem sempre faz jus. Entendo que não ter planejamento estratégico é algo muito daninho: prejudica a comunicação e centraliza o poder da empresa na figura do dono. Como consequência podemos ver uma cultura persecutória, muita rápido corredor, muita gente remando com vontade mas sem saber para onde sopra o vento. Agora, por outro lado, a estratégia não pode ser exagerada, criando centenas de páginas de PPTs que ninguém vê ou sabe interpretar. A governança estratégica deve garantir que o planejamento seja na medida, nem de mais nem de menos.

Se você tem o privilégio de trabalhar numa empresa equilibrada onde o plano é maduro, sintético e fácil, você está de parabéns. Use isso a seu favor, por que, favorecer você será igual a favorecer a empresa. Nesses cenários você também notará que a frequência será adequada, seja de 5 anos, seja de 1 ano, seja semestral.

PETI – Planejamento estratégico de TI

Agora, se não tem plano estratégico corporativo, dá pra fazer o de TI? A resposta é sim, mas é o caminho mais difícil. O PETI (Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação) ajuda a TI a parar de ser apenas o setor que “resolve boleto que não imprime” e virar central no negócio. Ele mostra para onde a área está indo, quais capacidades quer desenvolver, e como pretende gerar valor para a organização.

Claro que é muito melhor fazer esse PETI como desdobramento de um plano corporativo. Mas, na ausência dele, alguém tem que puxar o barco. O PETI define visão, direciona investimentos, organiza a arquitetura, orienta as metas e ainda dá base para decisões como: “Vamos para a nuvem?”, “Apostamos em IA?”, “Adotamos DevOps de verdade ou só no nome?”. Ele também costura as grandes metas da TI com áreas como Marketing, Finanças, Operações, etc. Porque quando a TI fica isolada, ela só serve pra gastar dinheiro.

Plano corporativo de 5 anos pode funcionar para o negócio, mas para a TI não. A TI demanda uma frequencia mais curtas, como ano, semestre ou trimestre. Particularmente gosto do PETI anual, mas num só documento que concentre PETI, PDTI, Orçamento, Analise de Matutidade.

Esse documento nasce da análise situacional, onde a Ti é organizado sobre as diversas dimensões que ela tem. Por exemplo, inovação, sustentação, riscos, etc. Esse trabalho deve ser feito sob medida, mas recomendo que as dimensões não mudem, de modo a garantir que sejam comparáveis no futuro. A partir daí se faz um tradicional SWOT e, particularmente, gosto da análise PESTEL que ajuda a fundamentar o SWOT.

PDTI – Plano diretor de TI

O PDTI (Plano Diretor de TI) é o desdobramento do PETI. Aqui a conversa fica mais concreta: projetos, programas e portfólios. O PDTI conversa diretamente com o orçamento. É ele quem vai dizer onde entra o CAPEX, o que é prioridade e o que pode esperar. Em algumas empresas, certos projetos só saem do papel se estiverem no PDTI, por serem mais caros e exigem previsibilidade.

Veja que nesse momento que vale olhar pra dentro e medir a maturidade: processos, cultura, governança, riscos, controles. Acho que utilizar o COBIT/ITIL facilita muito. O PDTI deve dizer onde estamos hoje, onde queremos chegar e qual nível de maturidade precisamos atingir.

Diagrama radial que mede a maturidade da TI pelos processos do COBIT

Exemplo prático: digamos que haja um grande projeto de migração mapeado no PDTI. Ao pensar na entrega nota-se que a maturidade da gestão de serviços, riscos e segurança precisa ser maior do que a atual. Nesse momento, deve-se analisar corretamente a maturidade atual, a final e o que precisa ser feito para tal. Nesse ponto grandes KPIs são definidos bem como OKRs para acompanhamento.

Orçamento de TI

Exemplo hipotético de orçamento para o ano de 2026 com Planejado, Realizado, Projetado e Delta

Quando se trata de orçamento devemos pensar as grande rubricas: serviços, projetos, leasing, licenciamento, etc. a depender de cada negócios. Isso ajuda a identificar com clareza quais sãos os itens operacionais (OPEX) e os investimentos de capital (CAPEX). Esses dados precisam ser planilhados de modo a projetar toda a evolução das receitas e despesas ao longo desses períodos. Depois, uma nova versão deve ser feita, mês a mês, com o realizado bem como o forecast. Isso te dará a informação de um delta (diferença entre orçado e executado; ou diferença entre orçado e projetado no forecast) que deve ser olhado de perto. Entende que a maior ferramenta de comunicação para a alta gestão é capital e isso precisa sempre estar claro.

Outro item que tem uma importancia na hora de pensar no acompanhamento do orçamento é uma visão sobre os Savings. Note que se tenho que gastar R$ 1000 em janeiro, mas não gastei porque o fornecedor ainda não finalizou o combinado, esse custo vai para fevereiro. Em termos de orçamento não houve economia. Mas se uma solução mais simples com IA fez com que não fosse necessário gastar os R$ 1000, esse saving deve ser registrado e acompanhado.

Conclusão de Estratégia de TI

No fim das contas, estratégia de TI não é luxo, é sobrevivência. PETI e PDTI não são burocracia, são ferramentas para dar clareza, foco e coerência ao que se faz, principalmente quando o negócio ainda não sabe muito bem onde quer chegar. Ter uma visão, desdobrá-la em ações e acompanhá-la com métricas reais é o que separa a TI reativa da TI que lidera transformação. E, convenhamos: em tempos de orçamento apertado, a TI que sabe onde está colocando cada centavo tem muito mais voz (e poder) na mesa de decisões.


Thiago Anselme
Thiago Anselme - Gerente de TI - Arquiteto de Soluções

Ele atua/atuou como Dev Full Stack C# .NET / Angular / Kubernetes e afins. Ele possui certificações Microsoft MCTS (6x), MCPD em Web, ITIL v3 e CKAD (Kubernetes) . Thiago é apaixonado por tecnologia, entusiasta de TI desde a infância bem como amante de aprendizado contínuo.

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