A Engenharia de valor no software

Gerar valor não é focar em velocidade, tecnologia ou capacidade técnica, mas sim sobre focar em clareza. Assim, clareza do problema, do usuário, do fluxo e das escolhas. Então, quando equipes entendem o que realmente move o valor para o cliente e estruturam métodos sólidos para priorizar, escutar e decidir, o produto deixa de ser um conjunto de entregas e passa a ser um sistema de evolução contínua.

Engenharia de Valor é, antes de tudo, uma forma de pensar: uma disciplina que combina racionalidade econômica, foco no cliente e tomada de decisão consciente para garantir que equipes entreguem o que realmente importa. Embora tenha nascido na indústria, seus princípios se encaixam perfeitamente no desenvolvimento de produtos digitais, onde percepção, experiência, fluxo e priorização moldam o que é valor. O artigo A Engenharia de valor no software explora como esses conceitos tradicionais se traduzem no universo de tecnologia e como líderes de produto e engenharia podem usá-los para construir soluções mais eficientes, relevantes e úteis.

Mas, além do artigo A Engenharia de valor no software, aqui no blog também temos diversos outros artigos sobre kubernetes, desenvolvimento, gestão, devops, etc. Veja alguns exemplos: Diferenças entre Paradigmas, Axiomas e HipótesesDesenvolver na empresa ou comprar prontoFuja da otimização prematura, entre outros.

O que é Engenharia de Valor

Engenharia de valor para produtos físicos

A Engenharia de Valor nasceu nos anos 1940 com Lawrence D. Miles, engenheiro da GE, que buscava manter a produção durante a escassez causada pela Segunda Guerra. A ideia era simples: entregar a mesma função com menor custo, preservando ou aumentando o valor percebido pelo cliente.

Imagem que explica a Engenharia de valor no software e os principais fatores que a descrevem.

Nos produtos físicos, o valor percebido costuma se apoiar em quatro dimensões clássicas:

  • valor de custo, que representa o esforço econômico necessário para produzir e entregar o item;
  • valor de uso, ligado à funcionalidade prática e à capacidade do produto de resolver um problema concreto;
  • valor de estima, que engloba fatores subjetivos como marca, status, estética e identificação emocional; e
  • valor de troca, que corresponde ao quanto o mercado está disposto a pagar ou negociar por aquele bem.

O usuário é quem manda

Independentemente do produto (físico, digital, serviço e/ou plataforma), valor é o que o usuário percebe, não o que a empresa gostaria que ele percebesse. Essa diferença entre a percepção e a entrega de fato faz parte significante da entrega de valor. O artigo não basta ser, tem que parecer, fala a mesma coisa, do ponto de vista do indivíduo.

Um exemplo clássico é o dos óculos com lentes sem grau. Óculos foram criados para corrigir problemas de visão, mas milhões de pessoas passaram a usá-los apenas pela estética. Para algumas pessoas, a função é outra. Esse fenômeno é a base da disciplina de produto. Product Managers, Tech Managers e áreas de negócio devem trabalhar justamente nesse ponto: entender como o usuário define valor, mesmo quando isso contraria a intenção original do produto.

Apaixone-se pelo problema, não pela solução

Um dos vícios mais comuns em engenharia é começar pela solução técnica, não pelo problema. É o caminho mais rápido para desperdiçar esforço e criar produtos que ninguém quer. Claro que a tecnologia é importante, mas o cliente importa mais.

É preciso encontrar o equilíbrio entre desejo do negócio e realidade operacional. Imagine um time em que todos dominam Java, mas alguém propõe Python “porque é mais fácil”. Pode até ser verdade, mas para manutenção, segurança, governança, observabilidade e padronização, isso pode virar um pesadelo.

Compreendendo a Eficiência de fluxo

Eficiência de fluxo é o percentual de tempo em que uma tarefa está realmente em touch time, ou seja quando alguém trabalha nela para gerar transformação e valor potencial. Já o wait time é quando está esperando algo: QA, homologação, análise, validações, dependências externas. Na prática se mede o tempo em que a atividade permanece naquele status e se traça os percentuais.

E veja que isso pode ter contornos diferentes quando falamos de upstream/discovery e downstream/delivery. Entender essas diferenças evita gargalos e desperdícios.

Valor agregado

Valor agregado é o percentual de atividades cujos tipos são desenhados para gerar valor para o negócio. Nem tudo que o time faz contribui para o produto, por exemplo, um bug ou uma sustentação não agregam valor, objetivamente; já uma user story sim.

Throughput

Throughput é quanto o time entrega em um intervalo de tempo. Entretanto é necessário considerar alguns pontos nessa percepção: PR não é entrega de valor, feature flag desligada não é entrega de valor. A entrega de valor é percebida para usuário, é possível ser analisada quantitativamente ou qualitativamente.

Como priorizar direito?

Priorizar não é apenas decidir o que vai primeiro, mas garantir que a energia da empresa seja direcionada para aquilo que realmente gera valor. Quem lidera o produto precisa vencer a maior parte das disputas de priorização, porque é essa posição que preserva a visão sistêmica e protege o produto das pressões momentâneas. Quando isso não acontece, a sensação que fica é que o produto e tech são incapazes de entender efetivamente o negócio.

O método de priorização, portanto, precisa ser o rei. Ele deve ser consistente, transparente e profundamente alinhado à geração contínua de valor, ao aprendizado rápido, à eficiência de fluxo e à visão estratégica do negócio. Um bom método reduz ansiedade, organiza expectativas e evita que o roadmap vire uma lista de urgências.

Conclusão de A Engenharia de valor no software

No fim, gerar valor não é focar em velocidade, tecnologia ou capacidade técnica, mas sim sobre focar em clareza. Assim, clareza do problema, do usuário, do fluxo e das escolhas. Então, quando equipes entendem o que realmente move o valor para o cliente e estruturam métodos sólidos para priorizar, escutar e decidir, o produto deixa de ser um conjunto de entregas e passa a ser um sistema de evolução contínua.


Thiago Anselme
Thiago Anselme - Gerente de TI - Arquiteto de Soluções

Ele atua/atuou como Dev Full Stack C# .NET / Angular / Kubernetes e afins. Ele possui certificações Microsoft MCTS (6x), MCPD em Web, ITIL v3 e CKAD (Kubernetes) . Thiago é apaixonado por tecnologia, entusiasta de TI desde a infância bem como amante de aprendizado contínuo.

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