Reduzindo desperdícios em TI

Reduzindo desperdícios em TI

Criar algo novo é empolgante, mas também arriscado. A maioria das startups não falha por questões técnicas, mas por insistir em construir soluções que ninguém quer. Então, foi justamente para evitar esse tipo de desperdício que surgiram métodos como o Customer Development, o Lean Manufacturing e o Lean Startup. Assim todos compartilham o mesmo princípio: aprender o mais rápido possível, com o menor custo possível, validando hipóteses antes de escalar. Desse modo, o artigo Reduzindo desperdícios em TI apresenta as ideias centrais por trás dessa abordagem enxuta, mostrando como aplicar na prática e aumentar suas chances de construir algo que realmente gere valor.

Mas, além do artigo Reduzindo desperdícios em TI, aqui no blog também temos diversos outros artigos sobre kubernetes, desenvolvimento, gestão, devops, etc. Veja alguns exemplos: Diferenças entre Paradigmas, Axiomas e HipótesesDesenvolver na empresa ou comprar prontoFuja da otimização prematura, entre outros.

Começando do começo: Customer Development

O conceito de Customer Development foi criado por Steve Blank em 1997, mas ficou conhecido com a publicação do seu livro The Four Steps to the Epiphany, em 2003. Steve Blank era um empreendedor do Vale do Silício que percebeu um padrão: startups quebravam por não entenderem seus clientes. Ele propôs um modelo que tem como foco o cliente e não o produto, imitando as startups que tinham sucesso.

O Customer Development surgiu como uma resposta ao modelo tradicional de negócios, que presumia saber o que o cliente queria. Blank dizia que ninguém sabe de verdade se seu produto/negócio vai ter sucesso até conversar com os usuários, testá-los e validar hipóteses no mundo real.

Reduzindo desperdícios em TI: Começando do começo: Customer Development

O que é uma Startup

Na visão do Steve Blank do e Eric Ries uma startup é uma organização temporária em busca de um modelo de negócios repetível, escalável e lucrativo. Por ela operar num ambiente de grandes incertezas seu maior objetivo não é apenas entregar um produto, mas sim quem é seu cliente, qual é o problema real que vale ser resolvido: tudo isso de maneira sustentável. Os métodos de gestão estão sendo desenvolvidos, validados, aprendidos e experimentados, num movimento iterativo.

Customer Development

Essa é uma metodologia para construção de startups até que ela deixe de ser uma. Ela é calcada em 4 grandes fases, como pode ser vista no diagrama acima: Customer Discovery, Customer Validation, Customer Creation e Company Building. Pode notar também que cada fase tem atividades particulares e é possível fazer um pivot, caso seja necessário.

1 – Customer Discovery

Nessa primeira fase, o empreendedor identifica um problema e acredita em possíveis soluções. É o momento de sair do escritório, ir a campo, conversar com clientes e definir o problema de forma clara. Ele cria um experimento mínimo (MVP) e apresenta diretamente ao cliente. Em seguida, ele estrutura um funil para avaliar como poderia vender para outros clientes com perfil semelhante. Depois disso, ele para, reflete e se pergunta: encontrei mesmo o problema certo? Resolvi o que me propus a resolver? Se a resposta for sim, ele avança para a próxima fase. Se não, continua na mesma etapa, ajustando o que for necessário.

2 – Customer Validation

Nessa segunda fase o empreendedor tem um produto e sabe que alguém compraria, mas ainda fica a dúvida: há mercado para ele? Agora o funil é testado, há posicionamento de marca, outros clientes são inquiridos. E mais métricas são extraídas com o foco em garantir que o produto é repetível, escalável e lucrativo, ou seja, se há um product market fit. Além disso, o autor sugere a criação de um Business Model Canvas consolidando esse momento. Então pare! Observe se os objetivos foram alcançados. Se sim, avance para a fase 3, se não, reflita se talvez não seja o caso de pivotear, ou seja, retornar a fase 1 e alterar o funil, o nicho, características do produto ou mesmo o produto todo.

3 – Customer Creation

Essa é a primeira etapa de execução. Aqui, o empreendedor já validou o modelo e decide escalar. Ele busca investimentos mais altos, agora que já mitigou e controlou os principais riscos da fase de pesquisa. Neste momento, ele acelera o crescimento até atingir o nível desejado. Em seguida, ele para, avalia se está tudo certo e, se estiver, segue para a fase 4.

4 – Company Building

Nesse caso admite-se que há de se estruturar o negócio para deixar de ser considerado uma startup e considerar um negócio formado. A operação e estruturas internas são escaladas. Mas veja que é comum que nesse momento o quadro diretor mude, para profissionais que têm uma mentalidade de empresa não startup.

Lean Manufactoring

Pelos idos de 1940 e 1950 Taiichi Ohno e Shigeo Shingo estruturaram um metodologia para otimizar o processos e reduzir de desperdícios na Toyota chamado Lean Manufatoring ou sistema Toyota de produção. Ele se apoia em 8 itens a serem observados e otimizados, sem perder qualidade:

  • Transporte: Observação dos produtos, materiais primas, itens de estoque. As quantidades fazem sentido?
  • Movimentação: É necessário fazer grandes deslocamentos para as atividades?
  • Espera: Equipe parada esperando maquinas, fornecedores, aprovações, etc.
  • Estoque: Estoque parado é dinheiro na mesa. O estoque pode ser um backlog. Calibre-o para o ideal
  • Defeito: A quantidade de defeitos deve ser próxima de zero.
  • Processamento excessivo: Há reuniões em excesso, processos ou passos desnecessários?
  • Conhecimentos ou habilidades: Há pessoal com conhecimentos e que não aplica? De que modo o conhecimento poderia ser aplicado ou novas competências criadas?
  • Produção excessiva: Há muita produção por ignorarem qualidade? São features que não entram em deployments?

Essa metodologia é muito poderosa. Mesmo que ela tenha sido feita para ambientes físicos de uma indústria pode ser facilmente transportada para empresas digitais, reduzindo desperdícios em TI.

Lean Startup

O conceito de Lean Startup foi criado por Eric Ries por volta de 2008, inspirado pelo Customer Development de Steve Blank e pelo Lean Manufacturing da Toyota. Cansado de ver startups falharem por investir demais em ideias não validadas, Ries propôs um modelo baseado em ciclos rápidos de aprendizado: construir, medir e aprender. Em 2011, ele lançou o livro The Lean Startup, que virou referência mundial para inovação enxuta, não só em startups, mas também em grandes empresas.

Então, o objetivo do Lean Startup é simples: evitar desperdício e aumentar as chances de sucesso em projetos inovadores. Assim, em vez de apostar todas as fichas num produto completo, você começa com uma hipótese, cria algo mínimo (um MVP), testa com usuários reais, coleta dados e aprende com eles. O foco está em tomar decisões com base em feedback real, e não em achismos ou planos de negócios fictícios. Isso permite errar rápido, ajustar o rumo e só escalar quando fizer sentido: economizando tempo, dinheiro e reputação.

MVP

O MVP (Minimum Viable Product) não é uma versão simples do produto final, ele é um experimento. Seu objetivo não é funcionar perfeitamente, mas validar uma hipótese com o mínimo necessário para aprender algo real sobre o cliente. Assim, se não há hipótese sendo testada, não é MVP, é só protótipo com nome errado. Então o MVP pode (e muitas vezes deve) ser descartado depois. Ele serve para testar o valor, coletar feedbacks concretos e reduzir o risco de colocar uma solução falha em produção. Por isso, deve ser testado em um ambiente controlado e com usuários reais. Se der certo, ótimo: avance e evolua. Se der errado, melhor descobrir agora do que depois de gastar meses de desenvolvimento.

Product Analytics

Ferramentas de Product Analytics como Amplitude, Google Analytics, Firebase (de certo modo) e Hotjar são essenciais no universo Lean. Elas ajudam a medir o comportamento real dos usuários, mostrando se clicaram nos pontos esperados, se usaram as funcionalidades certas ou onde exatamente abandonaram o fluxo. Sem dados, qualquer decisão é puro achismo, que inviabiliza testes, mvps ou mesmo as fases do Customer Development.

Imagem do Amplitude

Com esses produtos, é possível rastrear eventos, montar funis, acompanhar jornadas e até visualizar mapas de calor. Isso permite validar hipóteses, encontrar gargalos e ajustar o produto com base em evidências concretas. No Lean, não existe aprendizado sem medição.

Conclusão de Reduzindo desperdícios em TI

O Lean não é sobre fazer mais com menos por economia, mas por inteligência. Assim, em vez de apostar tudo numa ideia brilhante (e isolada), ele propõe aprender com os usuários, testar hipóteses, medir o que importa e ajustar com agilidade. Desse modo, é uma abordagem prática, iterativa e focada em valor, seja para uma startup na garagem ou para um time de inovação dentro de uma multinacional. No fim das contas, o que importa não é ter razão desde o início, mas saber aprender rápido o suficiente para não quebrar no meio do caminho.


Thiago Anselme
Thiago Anselme - Gerente de TI - Arquiteto de Soluções

Ele atua/atuou como Dev Full Stack C# .NET / Angular / Kubernetes e afins. Ele possui certificações Microsoft MCTS (6x), MCPD em Web, ITIL v3 e CKAD (Kubernetes) . Thiago é apaixonado por tecnologia, entusiasta de TI desde a infância bem como amante de aprendizado contínuo.

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